Uma das principais – e porque não dizer, das mais selvagens – estratégias de marketing utilizadas pelas agências de publicidade no momento é o chamado “envelopamento” de veículos, sobretudo de transportes públicos, como ônibus, barcas, trens e metrôs.
Explicando melhor, a técnica do “envelopamento” consiste na aplicação de uma película auto-adesiva sobre a superfície externa (inclusive janelas) dos veículos, que são transformados em verdadeiros outdoors ambulantes espalhados pela cidade.
Basta voltarmos um pouquinho no tempo para nos lembramos do “envelopamento” da Barca Rio-Niterói pela marca de sabão em pó “Omo”, campanha que ficou conhecida pela população fluminense como uma das mais eficazes iniciativas já vistas para a despoluição da Baía de Guanabara.
Até mesmo Paulo Coelho se rendeu à técnica quando decidiu “envelopar” os ônibus de Paris com a capa de “Veronika Decide Morrer”. Coincidência ou não, de todos os livros do “Mago”, “Veronika” foi o que teve o pior desempenho na França.
Entretanto, de uma coisa esqueceram-se nossos inventivos publicitários: dos passageiros, que, sem serem consultados, foram “envelopados” junto com seus meios de transporte.
A tal película que, como eu disse, é colocada inclusive nos vidros das janelas, reduz brutalmente a luminosidade no interior dos veículos e a visibilidade dos passageiros, criando um ambiente soturno e claustrofóbico durante a viagem. Isso sem falar na poluição visual da cidade, que é um capítulo à parte.
Para não dizer que sou completamente contra, eu defendo (não, eu não sou candidato a vereador!), no mínimo, a criação de normas mais rígidas para essa onda de “envelopamento”, pois “envelopar” até os vidros das janelas, como diriam nossos avós, é dose para mamute!






