Arquivo para Outubro, 2008

O Português de cá…

Postado em Curiosidades em 31 Outubro, 2008 por David Cohen

Essa semana fiz um curso de “Técnicas de Apresentação” pago pela empresa em que trabalho. Em princípio, confesso que pensei que o curso fosse ser uma completa inutilidade. Sempre tive a convicção de que esses cursos não passavam de um embuste, que falar em público é um dom que nasce com a pessoa e não existe fórmula milagrosa para isso. Realmente o dom ajuda muito, mas existem algumas técnicas que aprendi no curso que realmente são capazes de fazer a diferença na hora de ministrar uma palestra, seminário, ou mesmo apresentar um trabalho para grupos menores. Enfim, as aulas foram um sucesso e eu tive que dar o braço a torcer.

Num determinado momento do curso foram analisadas as peculiaridades de nosso idioma, os chamados regionalismos, o que me fez lembrar um post que escrevi dias atrás, chamado “O Português de lá…”.

Não são apenas nossos patrícios da “terrinha” que falam um português um pouco diferente do nosso. Nós mesmos, em muitos momentos, parecemos não falar a mesma língua, o que não chega a ser nenhuma novidade para um país de dimensões continentais e colonização heterogênea como é o Brasil.

Reuni abaixo algumas dessas expressões para retratar que não somos tão parecidos quanto imaginamos:

Baladeira (Rio Grande do Norte) = Estilingue, atiradeira.

Baladeira (São Paulo) = mulher que gosta de sair à noite.

Cigarreira (Rio Grande do Norte) = Banca de jornal.

Alcatifa (Nordeste) = carpete.

Jante (Pernambuco) = Roda.

Guia (São Paulo) = meio-fio, sarjeta.

Patente (interior do Paraná) = Vaso sanitário, privada.

Polígrafo (Rio Grande do Sul) = Apostila.

Colchão mole (interior de São Paulo) = tipo de carne conhecida também como chã de dentro.

Colchão duro (interior de São Paulo) = tipo de carne conhecida também como lagarto.

E mesmo dentro do próprio Estado do Rio de Janeiro também existem diferenças:

Pipa (município do Rio de Janeiro) = Brinquedo que no município de São Gonçalo é conhecido por “cafifa“.

Joelho (município do Rio de Janeiro) = salgadinho feito com massa de pão e recheio de queijo e presunto. Em Niterói, esse mesmo salgadinho, se chama “italiano“.

CA (município do Rio de Janeiro) = sigla que servia para denominar a extinta “classe de alfabetização”. Em Niterói, a classe de alfabetização era conhecida como “alfa“.

A lista é extensa e inexaurível. Tragam sugestões!

Primeiro selo!

Postado em Selo em 29 Outubro, 2008 por David Cohen

Tiraram o selinho do “Vala Comum”, ou melhor, o “Vala Comum” acaba de ganhar o seu primeiro selo.

E a homenagem partiu do excelente blog “Conversations with my 13-year-old self” (http://transtornobipolarr.blogspot.com/), do qual também sou leitor cativo. Valeu Thaynah!

Em breve revelarei a minha lista.

Auto-retrato

Postado em Poesia em 27 Outubro, 2008 por David Cohen

 

Eu sou aquilo que gosto

E gosto de muito pouco

Palavras sem salto

Amores sem bainha

Quando me vejo no espelho

Trago meridianos no rosto

E quando a noite vacila

Faço o silêncio de amparo.

 

Não me pergunte de onde venho

E nem o peso da minha mordida

Onde me escondo

Do que me sirvo

No pouco que ainda me vendo

O muito troco me cega

E sobre meus ombros vazios

Apenas um sonho na tipóia.

 

Mais um thriller genuinamente brasileiro

Postado em Uncategorized em 25 Outubro, 2008 por David Cohen

Continua rendendo a história do assassinato da adolescente Eloá, ocorrido em Santo André. Após ter sido seqüestrada e brutalmente assassinada por seu namorado, o jovem Lindemberg, a polícia de São Paulo descobriu que o pai da menina pertencia a um grupo de extermínio formado por policiais militares em Alagoas na década de 90. Dentre os crimes praticados por essa quadrilha, conhecida como “Gangue Fardada”, destaca-se o homicídio do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador do estado de Alagoas, Ronaldo Lessa. O assassinato ocorreu em outubro de 1991 e, desde então, Everaldo Pereira dos Santos é considerado foragido pela polícia de Maceió. O pai da menina, que era cabo da PM, passou a viver em São Paulo com documentos falsos e, segundo a polícia, seu verdadeiro nome é Aldo José da Silva. O mais incrível é que tudo isso só foi descoberto depois que o sujeito apareceu na televisão tendo um “piripaque” por causa do seqüestro da filha.

Mas a história, que, apesar de trágica, já seria sensacional se acabasse por aqui, ainda está longe de ter um desfecho (final feliz nem pensar!). Vocês devem estar imaginando: “O cara era matador em Alagoas, cabra-macho, ex-cabo da PM, enfim, um sujeito ‘durão’. Vem um molecote franzino, entra na casa dele, seqüestra a filha dele e ele não faz nada? E ainda por cima tem uma ‘turica’ em rede nacional e é descoberto pela polícia. Tem alguma coisa estranha nisso aí…”

E parece que tem mesmo. Segundo a polícia de São Paulo, há suspeitas concretas de que Lindemberg e o pai da menina faziam parte de um mesmo grupo criminoso em Santo André. Em entrevista, o delegado que conduz as investigações afirmou que o tal de Lindemberg não era só o genrinho querido do matador de Alagoas. Segundo ele, a adolescente já havia inclusive sido espancada diversas vezes pelo namorado e sabem o que o pai da menina fez? Absolutamente nada. São incontáveis as evidências de que havia uma relação muito mais estreita do que se imagina entre Lindemberg, “o príncipe do gueto”, e Ever(Aldo), o matador de coração mole.

Uma trama que retrata com detalhes o quanto pode ser grotesca a natureza humana. O amor juvenil, um crime passional (será?) e um pai de família foragido vivendo com nome falso em São Paulo. Não sei se acompanho o final pela imprensa ou aguardo com um saco de pipoca em alguma sala de cinema. Prepara a câmera que é mais uma história para você, Padilha…

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José Padilha é o diretor dos filmes brasileiros “Ônibus 174″ e “Tropa de Elite”.

“Le Vin de Merde”

Postado em Uncategorized em 22 Outubro, 2008 por David Cohen

Enófilos do “Vala Comum”, essa notícia é para vocês.

No sul da França, os fabricantes de vinho estão usando a má fama que têm de produzir bebidas de qualidade ruim para alavancar as vendas. E por incrível que pareça, a estratégia está dando certo.

Em Languedoc, no sul do país, os viticultores batizaram a garrafa de Le Vin de Merde, nome que poderia espantar o cliente. No entanto, o vinho rosé está agradando o paladar dos degustadores.

Para incrementar o comércio, os bares oferecem a degustação da bebida, antes de mostrar o rótulo da garrafa.

Outro fator que colabora para o sucesso de vendas é o preço. A garrafa é vendida a 7 euros.

Os viticultores celebraram o bom resultado: o estoque inteiro desse ano foi vendido.

E aí, alguém se habilita? Para quem está acostumado a beber Sangue de Boi vai ser moleza…

O Português de lá…

Postado em Curiosidades em 20 Outubro, 2008 por David Cohen

Praça dos Expedicionários

Postado em História em 18 Outubro, 2008 por David Cohen

Vocês já devem ter percebido que eu sou um apaixonado pelo Rio Antigo e um entusiasta ferrenho da preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade.

 

Essa notícia eu preciso compartilhar com vocês. Vocês já ouviram falar na Praça dos Expedicionários? Se a resposta de vocês é “não”, confesso que eu também não sabia que era esse o nome da praça abandonada que fica ao lado do Tribunal de Justiça, na Avenida Antônio Carlos, no Centro.

 

A região da Praça dos Expedicionários é considerada o berço do Rio porque a ocupação da cidade começou no Morro do Castelo, que ali ficava. No Morro do Castelo foram construídas as primitivas Casa da Câmara e a da Cadeia, a Casa do Governador, os Armazéns, e também as Igreja dos Jesuítas e a Igreja de São Sebastião, onde foi instalada a primeira Sé Catedral da cidade, e junto a qual estava o Marco da Fundação, trazido do primitivo estabelecimento no sopé do Morro Cara de Cão, assim como os restos mortais do fundador, Estácio de Sá.

 

O Morro do Castelo foi destruído em 1922 por determinação do então prefeito Carlos Sampaio. Foram muitas as justificativas apresentadas, entre elas a falta de espaço para abrigar a exposição comemorativa do centenário da Independência e um suposto prejuízo à ventilação da área central da cidade. Assim, com jatos d’água (acreditem!), motores elétricos e máquinas a vapor, o Morro do Castelo foi sendo demolido.

 

Mas então, eu falava da Praça dos Expedicionários. Foi encaminhado à Câmara de Vereadores um projeto de lei de iniciativa do prefeito César Maia (que já sai tarde!) propondo a modificação urbanística do entorno da Praça dos Expedicionários. No popular, o prefeito quer destruir a praça, e o seu objetivo é a construção naquele lugar de um estacionamento e dois edifícios.

 

Como é de costume, abandona-se o patrimônio público com o propósito deliberado de desvalorizá-lo, transformá-lo em “elefante branco” para depois “vender” a idéia para a população de que é necessário remodelar o local. Eu me arrepio todo quando ouço a palavra “remodelar”. Remodelar, no dicionário dos nossos governantes, significa passar literalmente um trator por cima da história, soterrar o passado e seus personagens, impor o esquecimento a golpes de picareta. Aliás, o que não faltam por aqui são golpes de picareta…

 

É tentar corrigir um erro com outro. O Morro do Castelo jamais poderia ter sido destruído e compete aos moradores da cidade envidar todos os esforços possíveis para que a Praça dos Expedicionários – onde também fica o garboso monumento ao Barão do Rio Branco – não siga o mesmo caminho.

 

Nossa cidade agoniza, mas não seremos nós que vamos desligar os aparelhos.

O uso de algemas no Brasil

Postado em Uncategorized em 16 Outubro, 2008 por David Cohen

Após a edição da Súmula Vinculante nº 11 do Supremo Tribunal Federal, tornou-se proibido no Brasil o uso de algemas, salvo justificação por escrito. Para que todos fiquem a par da questão, transcrevo abaixo os termos da mencionada súmula:

“Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.”

Acredito que muitos de vocês, assim como eu, devem estar se questionando: “Que absurdo! Quer dizer então que o policial não pode mais usar algemas para prender os bandidos?”. Exatamente. O agente policial somente está autorizado a utilizar algemas em casos excepcionais e desde que devidamente justificada a excepcionalidade por escrito.

Mas não vá se animando: Se a sua namorada/esposa/amante, depois de um chopinho com as amigas ou uma visitinha na Sex Shop, decidir te algemar na cabeceira da cama, não adianta invocar a súmula e muito menos exigir que ela apresente uma justificativa. Até segunda ordem, somente os adeptos do sadomasoquismo ainda estão autorizados a utilizar as algemas no Brasil. E não só as algemas, mas também o chicotinho, coleiras… sabem como é né, para o amor não há limites.

Só não contem isso para algum ministro do Supremo…

Humor judeu

Postado em Humor em 15 Outubro, 2008 por David Cohen

 

Isaac foi até o balcão de anúncios porque queria botar uma nota na seção de óbitos:

- Quero colocar anúncio aí. Meu mulher morreu.

- Pois não, que tipo de nota?

- A mais barata possível!

- E qual a mensagem?

- Raquel morreu.

- Mesmo no anúncio mais barato, o senhor tem direito de usar pelo menos cinco palavras.

- Raquel morreu. Vendo fusca 75.

Catacumba: A favela que virou parque

Postado em História em 13 Outubro, 2008 por David Cohen

Quem passa atualmente pela Lagoa, um dos bairros de maior valorização imobiliária do Rio de Janeiro, e admira o Parque da Catacumba não imagina – ou não se lembra – que ali existia uma favela.

 

Segundo arquivos da Biblioteca do Serviço Social do Município do Rio de Janeiro, o terreno onde existia a Catacumba foi ocupado por uma chácara durante todo século XIX. Sua antiga proprietária, a Baronesa da Lagoa Rodrigo de Freitas, transferiu a posse das terras para seus escravos.

 

Mas a explicação do nome Catacumba tem origem em tempos ainda mais remotos. Segundo os antigos moradores da favela, o local foi usado pelos índios como cemitério. No entanto, nunca houve confirmação sobre possíveis esqueletos encontrados na região.

 

Por volta de 1925, o Estado dividiu a Chácara das Catacumbas em 32 lotes. Os primeiros barracos da futura favela começaram a ser erguidos ainda nos anos 30. Mas a explosão demográfica só aconteceu mesmo na década de 40, com a chegada de uma leva de migrantes vindos, principalmente, do estado do Maranhão.

 

Em 7 de agosto de 1967, o Jornal do Brasil descreveu assim o cotidiano na favela:

 

“Às cinco horas da manhã, a Catacumba começa a despejar seus moradores. Copeiras, cozinheiras e babás descem as escadarias, saindo para as ‘casas das madames’. Trabalhadores (grande número de operários em construção) formam filas nos dois pontos de ônibus ou caminham a pé, em direção de Copacabana, Ipanema e Leblon. Um pouco mais tarde, o pessoal que desce o morro já tem outro aspecto: é a hora dos funcionários públicos, das crianças que vão para a escola e da grande movimentação das lavadeiras, que saem de casa cedo, para aproveitar o sol fraco da manhã, para a lavagem e, depois, o sol mais forte, para secar a roupa”.

 

A Favela da Catacumba foi removida em 1970 pelo antigo governador da Guanabara, Negrão de Lima. A Catacumba era uma favela sem nenhum modo de ser urbanizada e num local de alto risco de desabamentos. Junto com as outras favelas do entorno da Lagoa (da Praia do Pinto, da Macedo Sobrinho e da Ilha das Dragas, todas extintas), a Catacumba contribuía com o esgoto in natura que era despejado direto na Lagoa Rodrigo de Freitas. A comunidade tinha 2.320 barracos (a maioria de madeira) e cerca de 15 mil habitantes. Não existia serviço de água potável na comunidade. Para 89% dos moradores, o dia começava cedo nas 15 bicas públicas que existiam já perto do asfalto.

 

A maioria das famílias da Catacumba foi transferida para o Conjunto Guaporé-Quitungo, construído pela COHAB na Penha, enquanto outras foram removidas para a Cidade de Deus e Parques Proletários do Estado.

 

O Parque da Catacumba é hoje o mais importante parque de esculturas ao ar livre existente na cidade do Rio de Janeiro.

 

Na cidade em que palácio virou chafariz, pelo menos a favela virou um belo parque.