Quem passa pela Avenida Brasil, na altura de Manguinhos, no Rio de Janeiro se depara com uma das construções mais incríveis da cidade: O Pavilhão Mourisco, Prédio Central da Fundação Oswaldo Cruz.
O Pavilhão Mourisco, segundo informação extraída do site da FIOCRUZ, é a única edificação neomourisca (ou neo-islâmica) ainda existente no Rio de Janeiro. Para aqueles que, como eu, admiram, mas não entendem nada de arquitetura, pode-se dizer que o estilo neomourisco busca imitar e recriar a arte islâmica antiga. Algumas edificações serviram de modelos para projetos “neo”, como é o caso do Taj Mahal, na Índia, e a Alhambra, na Andaluzia, Espanha.
Projetado pelo arquiteto português Luiz de Moraes Júnior com base em croquis de Oswaldo Cruz, começou a ser construído em 1904. O traçado do prédio, semelhante ao dos palácios ingleses do período Elisabetano, apresenta torres, ameias, grandes galerias ligando as salas laterais e valoriza a entrada principal. Já nas fachadas, paredes, pisos e forros internos impera o estilo oriental.
O prédio, erguido sobre uma das colinas da região, constitui um bloco imponente, de 50 metros de altura, com fachada voltada para o mar. As paredes e a cinta de arremate da base do prédio são de granito, retirado da própria pedreira de Manguinhos. As varandas externas têm paredes em azulejo Bordalo Pinheiro e piso coberto de mosaicos franceses, cuja distribuição em variadas cores e formas lembra os tapetes árabes.
Na entrada principal do edifício, portas em peroba nacional amarela, talhadas em diversos motivos, e maçanetas americanas em bronze dourado, lavradas em estilo mourisco, abrem-se para o hall, onde tudo provoca magnífica impressão.
As paredes e o teto são ricamente decorados com elementos geométricos, na cor mate-ouro, em alto relevo. No hall de entrada, a escadaria em ferro forjado, com corrimão de metal e degraus de mármore Carrara, foi construída na Alemanha a partir de um desenho nacional. Coroando este hall, à altura do quarto pavimento, encontra-se um vitral de cores fortes, feito por Formenti & Cia. Destacam-se ainda os azulejos das varandas internas e dos laboratórios, procedentes de Meissen; as fechaduras e dobradiças em bronze dourado da Yale; os gradeamentos das janelas, que apresentam 18 desenhos diferentes; a escadaria de serviço em ferro alemão e em caracol; a louça inglesa nos banheiros e, finalmente, as luminárias alemãs, fabricadas ora em ferro fundido, ora em bronze dourado, com acessórios em opalina lilás.
O elevador do prédio central da Fundação Oswaldo Cruz é o mais antigo ainda em funcionamento no Rio de Janeiro. Foi instalado em 1909 pela Companhia Brasileira de Eletricidade Siemens-Schuckert Werke, a um custo total de 63.544 marcos. Com estrutura em ferro fabricada pela metalúrgica alemã Krupp, e cerca de 28,4m de altura de elevação, foi projetado para fazer quatro paradas, com mecanismos de segurança que impedem seu funcionamento caso alguma das portas esteja aberta.
O elevador tem duas cabines: uma para passageiros e outra para cargas. A de passageiros é de mogno, luxuosamente ornamentada, com cúpula de espelhos e portas internas com cristal bisotado. O gradeamento externo foi incluído no orçamento inicial, mas o projeto alemão, também em estilo neomourisco, não foi aprovado em virtude do alto custo. A opção de Oswaldo Cruz foi encomendar um novo desenho a Luiz Moraes Júnior, arquiteto do prédio. Depois de aprovado, o projeto foi executado pela mesma empresa responsável pelo gradeamento das escadarias.
O Pavilhão Mourisco foi tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN em 1981, sendo hoje um verdadeiro oásis de beleza fincado na pouco hospitaleira Avenida Brasil.