O infinito de depois

 

Quero amordaçar teus olhos

Engarrafar teu gênio

Petrificar teu riso

Como se fosse preciso

Emoldurar teu ontem

Para pendurar na minha sala.

 

Quero defenestrá-la

Da minha boca sem palavras

E amputar teu medo

Como se fosse parte

Da arte que desenhamos

Na parede da nossa casa.

 

Quero ser cova rasa

Para engolir teu corpo

Antes que me vire a cara.

6 Respostas para “O infinito de depois”

  1. Ao Escritor-poeta (ou será poeta-escritor!? rs),
    Ah! A poesia… A mais sublime obra do poeta. Petrifica momentos. Emoldura teu ontem. Fotografa sensações. Instantes. Transmite emoções. E por falar no autor da obra, o escritor não é “somente certa maneira especial de ver as coisas, senão também impossibilidade de vê-las de outra qualquer maneira”. (Carlos Drummond de Andrade, Passeios na Ilha, p. 120)
    Parabéns!

  2. bonitas palavras…

  3. Gosto muito dessa maneira de escrever. Muito bom, meu amigo.

  4. Pedi emprestado o verso mas ainda nao usei. Nao me julgue uma amiga desnaturada… farei minhas as suas palavras, com o devido crédito e um pouco menos inspiração. Assim que o fizer, aviso. :)

  5. É difícil ver alguém que escreve poesia de verdade. O que eu vejo por aí é quase nada perto do que eu vejo por aqui. Invista, viu? Beijos.

  6. a poesia nua, a palavra descoberta. como o dia em que o silêncio sai da casa.

    a vida nua.

    muito bom voltar, à respirar essa densidade toda.

    Abraços pra ti.

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