Um amigo, morador da Rua Hermenegildo de Barros, na Glória (subida para Santa Teresa), onde se localiza o famoso Casarão Hermê, resolveu pesquisar quem foi o tal Hermenegildo que deu nome à sua rua. Para sua surpresa, descobriu que o emblemático personagem de nossa história foi o ministro do Supremo Tribunal Federal que autorizou a deportação de Olga Benário para a Alemanha nazista. E o que é mais curioso, descobriu um poema feito por Aprígio dos Anjos, irmão de Augusto dos Anjos, em “homenagem” a ele. Uma obra-prima que, como vocês poderão observar, cairia como uma luva para muitos dos atuais ministros do Supremo.
Neste foro de gênios insepultos,
Cheio de múmias e quadrupedantes,
Vejo pingüins passarem por gigantes
E analfabetos por jurisconsultos.
Acórdãos de sentidos claudicantes,
Na feitura de juízes semicultos
Criam formas bizarras e tumultos,
Que escapa à perícia de Cervantes.
A balança da lei não tem mais pratos,
Desde de que sucumbiu Poncius Pilatos,
Desgraçou-se a justiça de uma vez.
Ele ao menos conforme a bíblia ensina
Lavava as mãos escuras com benzina,
Coisa que Hermenegildo nunca fez!
Formidável, não acham?
E para terminar, numa rápida consulta ao site dos Correios, descobri que o ilustre ministro também virou nome de rua em São Paulo e Belo Horizonte.
É cada susto que a gente leva com os personagens que deram nome para nossas ruas…
