
Foto de Rudy Trindade
É, faz tempo.
Parece que foi ontem…
- É menino, é um garotão!
Você não se conteve.
Charuto, abraço, lágrima
Silêncio
Você era finalmente pai.
Das paredes azuis
Ao bolo de 1 ano
A primeira palavra:
Ma-mãe.
Você não se importava
Não tinha dúvidas
A segunda certamente seria…
Vo-vó.
Surgiram os primeiro passos
O primeiro chute
Fui goleiro, artilheiro
Astronauta e lutador de boxe
Como toda criança
Fui alpinista de estrelas
E enquanto você foi a corda
Eu fui acordando.
Do banco de trás
Eu fui aprendendo a pedir:
Biscoito, bala … o volante!
O volante? Sim, eu já posso fazer isso!
Foi um pulo.
O sapato apertando, o dente caindo
A canela esticando…
Será que você viu?
(A cortina de sua pálpebra não paralisa o tempo.)
Não viu.
E quando viu
Eu era um lugar na mesa
Um quarto vazio
E uma sirene de escola que nunca cessa.
Mas hoje estamos aqui
Diante do imenso quarto azul
Que você me ensinou a conhecer
Diante de estrelas infinitas
Escondidas por trás de sonhos
Que você me fez acreditar
Possíveis.
Obrigado, meu pai.
Texto originalmente publicado no blog Caneta, Lente e Pincel.