Arquivo de setembro, 2008

Envelopamento

Posted in Uncategorized on 30 setembro, 2008 by David Cohen

 

Uma das principais – e porque não dizer, das mais selvagens – estratégias de marketing utilizadas pelas agências de publicidade no momento é o chamado “envelopamento” de veículos, sobretudo de transportes públicos, como ônibus, barcas, trens e metrôs.

 

Explicando melhor, a técnica do “envelopamento” consiste na aplicação de uma película auto-adesiva sobre a superfície externa (inclusive janelas) dos veículos, que são transformados em verdadeiros outdoors ambulantes espalhados pela cidade.

 

Basta voltarmos um pouquinho no tempo para nos lembramos do “envelopamento” da Barca Rio-Niterói pela marca de sabão em pó “Omo”, campanha que ficou conhecida pela população fluminense como uma das mais eficazes iniciativas já vistas para a despoluição da Baía de Guanabara.

 

Até mesmo Paulo Coelho se rendeu à técnica quando decidiu “envelopar” os ônibus de Paris com a capa de “Veronika Decide Morrer”. Coincidência ou não, de todos os livros do “Mago”, “Veronika” foi o que teve o pior desempenho na França.

 

Entretanto, de uma coisa esqueceram-se nossos inventivos publicitários: dos passageiros, que, sem serem consultados, foram “envelopados” junto com seus meios de transporte.

 

A tal película que, como eu disse, é colocada inclusive nos vidros das janelas, reduz brutalmente a luminosidade no interior dos veículos e a visibilidade dos passageiros, criando um ambiente soturno e claustrofóbico durante a viagem. Isso sem falar na poluição visual da cidade, que é um capítulo à parte.

 

Para não dizer que sou completamente contra, eu defendo (não, eu não sou candidato a vereador!), no mínimo, a criação de normas mais rígidas para essa onda de “envelopamento”, pois “envelopar” até os vidros das janelas, como diriam nossos avós, é dose para mamute!

O triste fim do Palácio Monroe

Posted in Uncategorized on 28 setembro, 2008 by David Cohen

 

 

Um assunto que sempre me incomodou profundamente foi não entender os motivos pelos quais resolveram demolir o Palácio Monroe.

Para aqueles que não sabem ou, como eu, não chegaram a conhecê-lo, o Palácio Monroe foi construído em 1904 para ser o “Pavilhão do Brasil” na Exposição de Saint Louis, de 30 de abril a 1º de dezembro de 1904 (comemoração do centenário de integração do Estado de Louisiana aos EUA), durante o regime republicano do Presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves, com o intuito de firmar o Brasil perante a situação mundial que vivia a euforia da “Belle Époque”.

A imprensa norte-americana não poupou elogios à estrutura, destacando-a pela sua beleza, harmonia de linhas e qualidade do espaço. Na ocasião, o Pavilhão do Brasil foi condecorado com a medalha de ouro no Grande Prêmio Mundial de Arquitetura, o maior certame do gênero, à época.

Terminada a exposição, o Palácio foi reconstruído no Rio de Janeiro, sendo este o primeiro edifício oficial inaugurado na Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), em 1906.

O nome foi uma homenagem ao presidente americano James Monroe, por sugestão do Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores. Monroe foi o criador do Pan-Americanismo e, naquele local, realizou-se a “Terceira Conferência Pan-Americana”.

Até 1914, o magnífico palácio continuou sendo usado como pavilhão de exposições. Após algumas reformas, entre 1914 e 1922, foi sede provisória da Câmara de Deputados, enquanto o Palácio Tiradentes era construído. De 1925 a 1930, o garboso edifício foi ocupado pelo Senado Federal. Até que veio a “Revolução de 30” e dissolveu o Senado. Era o início do fim do Palácio Monroe.

Em 1974, durante as obras de construção do Metrô do Rio de Janeiro, o traçado dos túneis foi desviado para não afetar as fundações do palácio. Nessa época o Governo Estadual decretou o seu tombamento.

Entretanto, uma campanha mobilizada pelo jornal O Globo (sempre ele), com o apoio de arquitetos modernistas, como Lúcio Costa, pediu a demolição do Palácio Monroe, sob alegações estéticas e de que o prédio atrapalhava o trânsito. O então presidente Ernesto Geisel, que também não era favorável ao edifício, sob a alegação de que prejudicava a visão do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, não concedeu o decreto federal de tombamento e, em 1976, o monumento foi demolido.

Noticia de O Globo

Notícia de O Globo

No terreno, assim desocupado, foi construída uma praça com um chafariz monumental, originalmente instalado na Praça da Bandeira.

Às vezes me pego imaginando o esplendor que teria a Cinelândia se ainda hoje ali estivesse o Palácio Monroe. Juntamente com a Biblioteca Nacional, o Museu de Belas Artes, o Theatro Municipal, o Cinema Odeon (único remanescente dos cinemas) e a Câmara Municipal, formariam em torno da Praça Floriano um complexo arquitetônico e cultural de rara beleza, que nos foi privado por uma estúpida decisão política.

Fica assim registrado o meu protesto e o meu saudosismo. Porque, apesar de não ter vivido o apogeu da Cinelândia, como diria o poeta Olavo Bilac, saudade é a presença dos ausentes.

Onde o buraco é mais embaixo, muito mais embaixo…

Posted in Uncategorized on 26 setembro, 2008 by David Cohen

Conheçam o estranho mundo das atividades petrolíferas.

As imagens abaixo foram gravadas por robôs a mais de 7 mil metros de profundidade na Bacia de Campos. Tirem as crianças da sala.

 

Maus – A história de um sobrevivente

Posted in Uncategorized on 26 setembro, 2008 by David Cohen

Todo mundo já está careca de saber que o holocausto representa uma ferida purulenta na história da humanidade. Isso não é novidade nenhuma. Não foram poucos os livros, filmes, revistas e documentários que retrataram as torturas sofridas por judeus nos campos de concentração da Alemanha nazista, o que poderia fazer do tema, que já é angustiante por si só, algo repetitivo ou enfadonho. Entretanto, um livro recentemente me chamou a atenção: Maus – A história de um sobrevivente, de Art Spiegelman.

 

Maus (rato em alemão) narra na forma de história em quadrinhos – isso mesmo, história em quadrinhos! – a comovente trajetória de um judeu polonês em meio aos terríveis acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. É importante que se diga, o judeu em questão é o pai do próprio autor, Vladek, que é apresentado na história como uma pessoa de idade avançada e temperamento difícil, narrando ao filho cartunista sua passagem pela guerra.

 

Outro ponto, no mínimo curioso, é a caracterização dos personagens: Os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos, os americanos como cachorros e os poloneses como porcos. O uso de antropoformismo, uma técnica familiar em desenhos animados e em tiras de quadrinhos, foi uma sacada irônica em relação às imagens propagandistas do nazismo, que mostravam os judeus como ratos e os poloneses como porcos. A publicação na Polônia teve de ser adiada devido a este elemento artístico.

 

Confesso que nunca fui muito adepto das histórias em quadrinhos, sobretudo dos modernosos mangás e seus personagens de olhos esbugalhados e aventuras inverossímeis. Maus, por sua vez, cativa pela originalidade, pela profundidade dos personagens e, principalmente, por tornar acessíveis, pela ótica de mais um sobrevivente, detalhes dessa página manchada de nossa história. 

 

E por agradar tanto aos apreciadores de quadrinhos quanto aos amantes da literatura, Maus é uma obra para ser lida, conhecida e eternamente lembrada.

Editorial

Posted in Uncategorized on 25 setembro, 2008 by David Cohen

 

O primeiro post de um blog é uma espécie de editorial. Sim, pois eu acredito piamente que um blogueiro cuidadoso deva alertar seus leitores – potenciais, é claro – daquilo que os espera daquele momento em diante. Trazer ao menos um bom motivo capaz de justificar que pessoas atarefadas – hoje todos são atarefados – percam alguns minutos do seu tempo olhando o mundo pela luneta de um desconhecido. 

 

Tudo bem, pode ser que você não goste de literatura, política, esportes, cinema. Eu entendo. Seu ócio é uma commodity super valorizada no mercado internacional e não vai ser qualquer bobagem que eu venha a dizer aqui que vai o convencer de que não vai haver o terceiro mandato do Lula, que o Vasco não vai cair, que o Nelson Rodrigues foi coroinha ou que os filmes brasileiros são um sucesso de bilheteria na Nova Zelândia. Eu reconheço que não tenho a mínima credibilidade.

 

Mas apesar de tudo, contra todas as evidências, surge o “Vala Comum”.

 

O “Vala Comum” não é um blog, é uma boca. E como vocês sabem, tudo pode sair de uma boca.

 

Num mundo onde tudo caminha para a vala comum, nossa função – que chique – será transformar a vala em ponto de partida e não mais em ponto de chegada.

 

Enfim, chega de conversa fiada. Está inaugurado, com todas as pompas, o “Vala Comum – Onde o buraco é mais embaixo”.