Maus – A história de um sobrevivente

Todo mundo já está careca de saber que o holocausto representa uma ferida purulenta na história da humanidade. Isso não é novidade nenhuma. Não foram poucos os livros, filmes, revistas e documentários que retrataram as torturas sofridas por judeus nos campos de concentração da Alemanha nazista, o que poderia fazer do tema, que já é angustiante por si só, algo repetitivo ou enfadonho. Entretanto, um livro recentemente me chamou a atenção: Maus – A história de um sobrevivente, de Art Spiegelman.

 

Maus (rato em alemão) narra na forma de história em quadrinhos – isso mesmo, história em quadrinhos! – a comovente trajetória de um judeu polonês em meio aos terríveis acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. É importante que se diga, o judeu em questão é o pai do próprio autor, Vladek, que é apresentado na história como uma pessoa de idade avançada e temperamento difícil, narrando ao filho cartunista sua passagem pela guerra.

 

Outro ponto, no mínimo curioso, é a caracterização dos personagens: Os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos, os americanos como cachorros e os poloneses como porcos. O uso de antropoformismo, uma técnica familiar em desenhos animados e em tiras de quadrinhos, foi uma sacada irônica em relação às imagens propagandistas do nazismo, que mostravam os judeus como ratos e os poloneses como porcos. A publicação na Polônia teve de ser adiada devido a este elemento artístico.

 

Confesso que nunca fui muito adepto das histórias em quadrinhos, sobretudo dos modernosos mangás e seus personagens de olhos esbugalhados e aventuras inverossímeis. Maus, por sua vez, cativa pela originalidade, pela profundidade dos personagens e, principalmente, por tornar acessíveis, pela ótica de mais um sobrevivente, detalhes dessa página manchada de nossa história. 

 

E por agradar tanto aos apreciadores de quadrinhos quanto aos amantes da literatura, Maus é uma obra para ser lida, conhecida e eternamente lembrada.

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6 Respostas to “Maus – A história de um sobrevivente”

  1. As histórias em quadrinhos são um veículo alternativo para quando o autor deseja dar uma forma distinta daquela que normalmente é esperada. Por meio dos quadrinhos, pode-se partir tanto para um viés lúdico, didático ou até mais realista, uma vez que palavras conjugadas com imagem surtem um efeito de “comunicação completa”.

    Beijocas!

  2. Outro dia fizeram um comentário pertinente: não há um filme sequer que mostre o massacre de outras etinias, principalmente os ciganos, que foram aos montes. Podiam fazer isso, ia ser uma forma nova de abordar o mesmo tema. Abraço.

  3. Fábio S. Ribeiro Says:

    Renato, há uma série de filmes “made in Hong Kong” (mas de boa qualidade cinematográfica) que mostra o massacre do povo da chinês pelos japoneses na segunda guerra. São 4 filmes extremamente gráficos (tipo “sangue e tripas” na tela), sendo que o primeiro e o último (do mesmo diretor) têm um viés, digamos, mais político/artístico. O primeiro chama-se, em inglês, “Men Behind the Sun” (1988), e saiu no Brasil em VHS na década de 90 com o nome “Campo de Bactérias 731: A Maldade Humana”, que como o nome sugere, mostra as experiências dos nipônicos num campo de concentração na Manchúria (norte da China). O último é o “Black Sun” (1995), que mostra a invasão e o domínio japa na cidade de Nanking. Ambos baseados em fatos reais, chegam a apelar em algumas cenas para fotos tiradas na época. Se quiser, tenho cópias em casa, mas alerto: são filmes bem perturbadores… Depois, se eu achar, te passo uma resenha que escrevi sobre o último, para um blog de cinema no qual eu participava há uns anos atrás.

  4. Fábio S. Ribeiro Says:

    E, David, você já leu o trabalho do Will Eisner? É um quadrinistra judeu, considerado um revolucionário no gênero, inventor das chamadas “Grafic Novel” (histórias sérias na forma de quadrinho, digamos). Depois te empresto o primeiro livro dele nesse estilo, “Um Contrato com Deus”, que traz quatro contos passados no gueto judeu de NY.

  5. “Persépolis” (Marjane Satrapi) é legal.
    Recomendo.

  6. Também vi “Persépolis”! Muito bacana! Bacana também o seu blog, David! Brigado pela visita ao Ultramuito! Grande abraço!

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