O triste fim do Palácio Monroe

 

 

Um assunto que sempre me incomodou profundamente foi não entender os motivos pelos quais resolveram demolir o Palácio Monroe.

Para aqueles que não sabem ou, como eu, não chegaram a conhecê-lo, o Palácio Monroe foi construído em 1904 para ser o “Pavilhão do Brasil” na Exposição de Saint Louis, de 30 de abril a 1º de dezembro de 1904 (comemoração do centenário de integração do Estado de Louisiana aos EUA), durante o regime republicano do Presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves, com o intuito de firmar o Brasil perante a situação mundial que vivia a euforia da “Belle Époque”.

A imprensa norte-americana não poupou elogios à estrutura, destacando-a pela sua beleza, harmonia de linhas e qualidade do espaço. Na ocasião, o Pavilhão do Brasil foi condecorado com a medalha de ouro no Grande Prêmio Mundial de Arquitetura, o maior certame do gênero, à época.

Terminada a exposição, o Palácio foi reconstruído no Rio de Janeiro, sendo este o primeiro edifício oficial inaugurado na Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), em 1906.

O nome foi uma homenagem ao presidente americano James Monroe, por sugestão do Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores. Monroe foi o criador do Pan-Americanismo e, naquele local, realizou-se a “Terceira Conferência Pan-Americana”.

Até 1914, o magnífico palácio continuou sendo usado como pavilhão de exposições. Após algumas reformas, entre 1914 e 1922, foi sede provisória da Câmara de Deputados, enquanto o Palácio Tiradentes era construído. De 1925 a 1930, o garboso edifício foi ocupado pelo Senado Federal. Até que veio a “Revolução de 30” e dissolveu o Senado. Era o início do fim do Palácio Monroe.

Em 1974, durante as obras de construção do Metrô do Rio de Janeiro, o traçado dos túneis foi desviado para não afetar as fundações do palácio. Nessa época o Governo Estadual decretou o seu tombamento.

Entretanto, uma campanha mobilizada pelo jornal O Globo (sempre ele), com o apoio de arquitetos modernistas, como Lúcio Costa, pediu a demolição do Palácio Monroe, sob alegações estéticas e de que o prédio atrapalhava o trânsito. O então presidente Ernesto Geisel, que também não era favorável ao edifício, sob a alegação de que prejudicava a visão do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, não concedeu o decreto federal de tombamento e, em 1976, o monumento foi demolido.

Noticia de O Globo

Notícia de O Globo

No terreno, assim desocupado, foi construída uma praça com um chafariz monumental, originalmente instalado na Praça da Bandeira.

Às vezes me pego imaginando o esplendor que teria a Cinelândia se ainda hoje ali estivesse o Palácio Monroe. Juntamente com a Biblioteca Nacional, o Museu de Belas Artes, o Theatro Municipal, o Cinema Odeon (único remanescente dos cinemas) e a Câmara Municipal, formariam em torno da Praça Floriano um complexo arquitetônico e cultural de rara beleza, que nos foi privado por uma estúpida decisão política.

Fica assim registrado o meu protesto e o meu saudosismo. Porque, apesar de não ter vivido o apogeu da Cinelândia, como diria o poeta Olavo Bilac, saudade é a presença dos ausentes.

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11 Respostas to “O triste fim do Palácio Monroe”

  1. Confesso que em minha ignorância, não sabia da existência desse Palácio, mas demolir pra construir um Chafariz é meio esquisito hein…
    Beijão
    Bom fim de semana =)

    • vc errou em diser que “pra construir um Chafariz “ele foi contruido na frança 1ªficou na praça da bandeira depois na praça maua e ele foi colocado ai sendo o maior chafaris de ferro da america latina

  2. No lugar onde ficava o Palácio Monroe hoje está a “nababesca” praça Mahatma Ghandi, embaixo da qual esta o estacionamento da Cinelândia, com aquela tarifa baratinha…
    É, a cidade do Rio de Janeiro é, hoje, um bom retrato do “País sem Memória”. São tantas as alterações na paisagem que hoje ela não guarda absolutamente nada que lembre o Rio de 50 anos atrás. Para quem olha fotos antigas da cidade, é praticamente impossível reconhecê-la atualmente. Ainda mais com prefeitos que mudam os nomes dos monumentos e logradouros públicos ao sabor do oportunismo político.

  3. A política tem razões que a própria razão desconhece. Não é destruir a;go pra construir outro algo. É simplesmente destruir algo que pode ser destruído e que foi marco de um político anterior. Como várias boas campanhas que não continuam nos 4 anos seguintes porque os estúpidos consideram ser a perpetuação do nome de um outro político.
    (Afinal, vocês sabem, política é colocar os anteriores na obscuridade, indepentendemente do que será utilizado – ou descartado – para tal.)

    • julian pereira de melo Says:

      sarita obrigada pelo estimulo quando li o que vc escreveu.

      Eu endosso o que nossa colega Sarita escreveu acima! A política tem razões que a própria razão desconhece.Porem ela tem conciência e intenção no que faz.(SPHAN) serviço do patrimonio historico e artistico nacional foi criado em 1937 sob a direção de Rodrigo Melo Franco coube ao nosso poeta Mario de Andrade estruturar o antigo serviço de patrimonio historico e artisco nacional.durante este periodo ,a politica de preservação de bens materiais elegeu preferencialmente o patrimonio artistico e arquitetônico vinculado ao estilo barroco e rococó ,que prosperava no seculo xviii nas cidades auiferas de MINAS GERAIS .a escolha do barroco colonial como objeto de preservação por sua indentificação como o mais representativo de nossa identidade cultural resultou da leitura de viés modernista.
      Essa visão fundamenta-se na rejeição ás esteticas consideradas ultrapassadas mais diretamente influenciadas pelo NEOCLASSICISMO E ECLETISMO.com isso bens culturais ligados aqueles estilos acabaram sendo relegados a sua propia sorte ,o que contribui para sua destruição,deixando assim incompleto o diverssificado mosaico do nosso patrimonio cultural.
      Gostaria de fazer uma comparação o que o (SPHAN) SERVIÇO PATRIMONIO HISTOTRICO ARTISTICO NACIONAL: Fez autorizando a demolição da academia de Belas Artes construida em 1820 e demolida em 1938,na supervisão do SPHAN estava sendo coordenada pelo escritor modernista MARIO DE ANDRADE e o jornalista RODRIGO DE MELO FRANCO QUE A DIRIGIU POR 30 ANOS ( ESSA PERCEPÇÃO MODERNISTA SE FUNDAMENTAVA NA REJEIÇÃO AOS ESTILOS DE INFLUENCIAS FRANCESAS,NOTADAMENTE O NEOCLASSICISMO E O ECLETISMO ,QUE DOMINARAM A ARTE BRASILEIRA DO FINAL DO SECULO XIX E INICIO DO XX.DESSA FORMA ESTAS EDIFICAÇÕES NÃO REPRESENTATIVAS DA ARTE BRASILEIRA FICARAM DE FORA DAS PRIMEIRAS AÇÕES OFICIAIS DE PRESERVAÇÃO.
      POREM O QUE ME PARECE É QUE ESTAS COISAS VEM SE REPETINDO CONTINUAMENTE.
      O QUE DEVEREMOS FAZER PARA QUE NÃO EXISTA MAIS SEPARAÇÃO ENTRE OS POVOS,SUA ARTE SUA CULTURA .

      JULIAN PEREIRA DE MELO

  4. […] post do David, li sobre um dos mais bonitos edifícios já construídos na Avenida Rio Branco, o Palácio Monroe. Isso me fez lembrar de um outro edifício importantíssimo que existia na Cinelândia, do outro […]

  5. Wanda C.Rocha da Costa Says:

    Sempre que passo ali, fico imaginando como seria ter aquele monumental palácio como um grande centro cultural nos dias de hoje…é realmente uma pena. Espero que pelo menos se tenha aprendido a lição para que nenhum outro exemplar da nossa história seja desastrosamente varrido da nossa cidade em nome do “progresso” ?.

  6. Vocês imaginam algum povo civilizado fazendo o mesmo? Por exemplo, os americanos demolindo o Capitólio?…

  7. Cláudio Stilben Teixeira Says:

    O pior disso tudo é que tem gente que ainda aplaudiu essa e outras mutilações mutilação da nossa cidade.

  8. julian pereira de melo Says:

    Eu endosso o que nossa colega Sarita escreveu acima! A política tem razões que a própria razão desconhece.Porem ela tem conciência e intenção no que faz.(SPHAN) serviço do patrimonio historico e artistico nacional foi criado em 1937 sob a direção de Rodrigo Melo Franco coube ao nosso poeta Mario de Andrade estruturar o antigo serviço de patrimonio historico e artisco nacional.durante este periodo ,a politica de preservação de bens materiais elegeu preferencialmente o patrimonio artistico e arquitetônico vinculado ao estilo barroco e rococó ,que prosperava no seculo xviii nas cidades auiferas de MINAS GERAIS .a escolha do barroco colonial como objeto de preservação por sua indentificação como o mais representativo de nossa identidade cultural resultou da leitura de viés modernista.
    Essa visão fundamenta-se na rejeição ás esteticas consideradas ultrapassadas mais diretamente influenciadas pelo NEOCLASSICISMO E ECLETISMO.com isso bens culturais ligados aqueles estilos acabaram sendo relegados a sua propia sorte ,o que contribui para sua destruição,deixando assim incompleto o diverssificado mosaico do nosso patrimonio cultural.
    Gostaria de fazer uma comparação o que o (SPHAN) SERVIÇO PATRIMONIO HISTOTRICO ARTISTICO NACIONAL: Fez autorizando a demolição da academia de Belas Artes construida em 1820 e demolida em 1938,na supervisão do SPHAN estava sendo coordenada pelo escritor modernista MARIO DE ANDRADE e o jornalista RODRIGO DE MELO FRANCO QUE A DIRIGIU POR 30 ANOS ( ESSA PERCEPÇÃO MODERNISTA SE FUNDAMENTAVA NA REJEIÇÃO AOS ESTILOS DE INFLUENCIAS FRANCESAS,NOTADAMENTE O NEOCLASSICISMO E O ECLETISMO ,QUE DOMINARAM A ARTE BRASILEIRA DO FINAL DO SECULO XIX E INICIO DO XX.DESSA FORMA ESTAS EDIFICAÇÕES NÃO REPRESENTATIVAS DA ARTE BRASILEIRA FICARAM DE FORA DAS PRIMEIRAS AÇÕES OFICIAIS DE PRESERVAÇÃO.
    POREM O QUE ME PARECE É QUE ESTAS COISAS VEM SE REPETINDO CONTINUAMENTE.
    O QUE DEVEREMOS FAZER PARA QUE NÃO EXISTA MAIS SEPARAÇÃO ENTRE OS POVOS,SUA ARTE SUA CULTURA .

    JULIAN PEREIRA DE MELO

  9. Em uma cidade tão rica de história e construções magníficas, derrubar um prédio daqueles é um verdadeiro crime.

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