Praça dos Expedicionários

Vocês já devem ter percebido que eu sou um apaixonado pelo Rio Antigo e um entusiasta ferrenho da preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade.

 

Essa notícia eu preciso compartilhar com vocês. Vocês já ouviram falar na Praça dos Expedicionários? Se a resposta de vocês é “não”, confesso que eu também não sabia que era esse o nome da praça abandonada que fica ao lado do Tribunal de Justiça, na Avenida Antônio Carlos, no Centro.

 

A região da Praça dos Expedicionários é considerada o berço do Rio porque a ocupação da cidade começou no Morro do Castelo, que ali ficava. No Morro do Castelo foram construídas as primitivas Casa da Câmara e a da Cadeia, a Casa do Governador, os Armazéns, e também as Igreja dos Jesuítas e a Igreja de São Sebastião, onde foi instalada a primeira Sé Catedral da cidade, e junto a qual estava o Marco da Fundação, trazido do primitivo estabelecimento no sopé do Morro Cara de Cão, assim como os restos mortais do fundador, Estácio de Sá.

 

O Morro do Castelo foi destruído em 1922 por determinação do então prefeito Carlos Sampaio. Foram muitas as justificativas apresentadas, entre elas a falta de espaço para abrigar a exposição comemorativa do centenário da Independência e um suposto prejuízo à ventilação da área central da cidade. Assim, com jatos d’água (acreditem!), motores elétricos e máquinas a vapor, o Morro do Castelo foi sendo demolido.

 

Mas então, eu falava da Praça dos Expedicionários. Foi encaminhado à Câmara de Vereadores um projeto de lei de iniciativa do prefeito César Maia (que já sai tarde!) propondo a modificação urbanística do entorno da Praça dos Expedicionários. No popular, o prefeito quer destruir a praça, e o seu objetivo é a construção naquele lugar de um estacionamento e dois edifícios.

 

Como é de costume, abandona-se o patrimônio público com o propósito deliberado de desvalorizá-lo, transformá-lo em “elefante branco” para depois “vender” a idéia para a população de que é necessário remodelar o local. Eu me arrepio todo quando ouço a palavra “remodelar”. Remodelar, no dicionário dos nossos governantes, significa passar literalmente um trator por cima da história, soterrar o passado e seus personagens, impor o esquecimento a golpes de picareta. Aliás, o que não faltam por aqui são golpes de picareta…

 

É tentar corrigir um erro com outro. O Morro do Castelo jamais poderia ter sido destruído e compete aos moradores da cidade envidar todos os esforços possíveis para que a Praça dos Expedicionários – onde também fica o garboso monumento ao Barão do Rio Branco – não siga o mesmo caminho.

 

Nossa cidade agoniza, mas não seremos nós que vamos desligar os aparelhos.

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17 Respostas to “Praça dos Expedicionários”

  1. Eu sou contra o loteamento da cidade a custo baixo para beneficiar os empresários às expensas do patrimônio público. Mas não sou contra o remodelamento. Acho que as coisas avançam, elas têm que avançar. O remodelamento feito no RioCidade 1 foi excelente, em alguns lugares. Tá faltando remodelar, por exemplo, o cais do porto. Aquilo ali tá um lixo.

  2. David Cohen Says:

    Acho que o que a cidade precisa é de manutenção. Por exemplo: se uma praça é construída, pode ter certeza que suas grades vão enferrujar até cair, o gramado vai subir sem ser podado, os brinquedos vão apodrecer… Os monumentos ficam décadas sem receber uma mão de tinta, viram ruína rapidamente. Para mim a palavra-chave é manutenção. Claro que às vezes é preciso remodelar, mas acima de tudo é preciso manter em bom estado o que foi feito.

  3. Bem… eu até sabia que aquele lugar se chamava Praça do Expedicionário, mas sempre achei muito poluído visualmente, confuso, sujo.. Poderia ser um espaço, uma praça mesmo, em frente ao forum. Poderia haver jardins, árvores, um lugar pra tomar café… Enfim, poderia dar aquela “europeizada” que o nosso prefeito do início do séc XX, Pereira Passos, privilegiou tanto.

  4. Acho que tudo que você disse pode pode ser resumido em uma fala: César, que já vai tarde. Uma vez me disseram que o custo da retirada do morro do Castelo foi um aumento de temperatura no centro e um problema de esgoto com a area aterrada.
    Bem, se bem que com a terra de lá fizeram o Aterro do Flemango que é lindo.
    Abraços

  5. Quando eu era estagiário na Defensoria Pública, uns dez anos atrás, a grade que cerca a Praça do Expedicionário tinha uma abertura, e vários skatistas iam para lá treinar manobras. Eeram vários, e ficavam a tarde toda saltando os obstáculos que havia ali. Sempre que dava eu ficava olhando pela janela do gabinete.

    A Praça do Expedicionário poderia ser um espaço urbano muito bem explorado, bonito e arborizado. O problema é que as praças do Rio de Janeiro têm de ficar cercadas e trancadas a corrente e cadeado (vejam a Praça Paris e o Campo de Santana), senão viram dormitório do pessoal que vem pro Centro e às vezes não tem dinheiro pra voltar pra casa, especialmente ali, ao lado da Praça XV e daquele terminal de ônibus horroroso perto do Lâmina III do TJ, que já é uma sujeirada e uma fedentina só. Aí, como cuidar da população de rua é mais difícil que destruir praça, preferem esta alternativa, levantando mais um prédio que prejudica a visão da Baía da Guanabara e descaracteriza mais um pouco a cidade do Rio.

  6. Concordo em nº e grau com o Santos, sobre a questão q é mais fácil destruir do q conservar.Não sei se estou sendo otimista, ou até ing~enua, mas acho q há chance de barbaridades contra o patrimônio serem evitadas sim, ainda mais se o Gabeira (q parece ser um entusiasta cultural em vários aspectos) ganhar.Não é campanha não, viu, é só uma esperança da minha parte de alguns problemas como este serem tratados com a devida importância, e conseguirmos aliados na luta pelo Rio de Janeiro, se não melhorar, pelo menos não piorar.

  7. P.S. Já havia sim reparado na sua paixão pelo Rio Antigo, e espero q vc continue usando não só este blog como outros meios para contagiar a outros.Parabéns!

  8. César Maia é um câncer!

  9. Não é não… O cara reformulou a cidade que havia sido sucateda pelas administrações anteriores. Construiu a Linha Amarela, fez os Rio Cidade’s, pagou o funcionalismo público em dia (tá certo que isso não é mais que obrigação, mas não acontecia antes dele ser eleito), a Comlurb agora funciona (antes era o caos)… Há muito o que se elogiar.
    O problema é que ele cansou de ser prefeito no meio do mandato. A crítica que ele merece é por não ter renunciado, e não por ser um mau prefeito – porque isso, no todo, ele não foi.

  10. Pois é Leandro! Pra mim tb o gde problema foi ele não ter sido prefeito pra cidade, mas cfe seu próprio capricho.

  11. Hoje a única coisa que resta do Morro do Castelo é a Ladeira da Misericórdia, ao lado da Santa Casa de Misericórdia.

    E correndo o risco de fazer um trocadilho infame, eu digo:

    Caros governantes, tenham um pouco mais de respeito pelo patrimônio público, por misericórdia!

  12. Concordo com o Leandro sobre o Cesar Maia. Tanto que eu votei nele na esperança de que ele continuasse governando, o que não fez depois de algum tempo. Fazer o que, né?

  13. Olá, David… mesmo não sendo do Rio e o conhecendo pouco, acho importante a preocupação com a preservação do patrimônio histórico-cultural. Moro em uma cidade nova (Maringá tem 60 anos) e aqui as mudanças rápidas estão levando embora os prédios antigos. Só estão restando as fotos.
    Abraço

  14. É verdade, a preocupação com a manutenção/ preservação de nossa história pouco interessa aos nossos governantes. E, infelizmente, é um mal que assola o país todo. O que a gente assiste de reportagens sobre isso é estarrecedor. Uma grande pena, mesmo! Mas como vc diz, não vamos ajudar a desligar as máquinas e temos mais é que colocar a boca no trombone e torcer para que alguém realmente preocupado com o assunto nos ouça e FAÇA alguma coisa para impedir.
    Abraços!

  15. Agora com o DuDU das milícias eleito, tudo vai virar pó!

  16. ester mendes Says:

    Li seu post e tenho que descordar de um pequeno detalhe.
    A praça do expedicionário é um local abandonado do centro, fechado por grades, sujo e que serve de entulho. De maneira alguma deve ser exterminada, porém deve passar por algum tipo de revitalização.
    Sou estudante de arquitetura e urbanismo e posso afirmar, o local precisa de uma mudança urbanística urgente. Com o fechamento de algumas ruas, com a mudança do terminal de ônibus que localiza-se perto do Museu da Imagem e do Som e com algum trabalho urbano ou arquitetônico, o local pode virar um raro ponto de encontro aos moradores do Rio. Tenho o terreno da praça do expedicionário como o terreno para um projeto arquitetônico de minha faculdade. É um prato cheio para novas idéias, melhoras urbanas e manutenção da história do Rio. Esta praça, deve ser um ponto de destaque na cidade do Rio, e não um espaço vazio, sem uso e abandonado que apenas serve de estacionamento do Tribunal.

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