Mais um thriller genuinamente brasileiro

Continua rendendo a história do assassinato da adolescente Eloá, ocorrido em Santo André. Após ter sido seqüestrada e brutalmente assassinada por seu namorado, o jovem Lindemberg, a polícia de São Paulo descobriu que o pai da menina pertencia a um grupo de extermínio formado por policiais militares em Alagoas na década de 90. Dentre os crimes praticados por essa quadrilha, conhecida como “Gangue Fardada”, destaca-se o homicídio do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador do estado de Alagoas, Ronaldo Lessa. O assassinato ocorreu em outubro de 1991 e, desde então, Everaldo Pereira dos Santos é considerado foragido pela polícia de Maceió. O pai da menina, que era cabo da PM, passou a viver em São Paulo com documentos falsos e, segundo a polícia, seu verdadeiro nome é Aldo José da Silva. O mais incrível é que tudo isso só foi descoberto depois que o sujeito apareceu na televisão tendo um “piripaque” por causa do seqüestro da filha.

Mas a história, que, apesar de trágica, já seria sensacional se acabasse por aqui, ainda está longe de ter um desfecho (final feliz nem pensar!). Vocês devem estar imaginando: “O cara era matador em Alagoas, cabra-macho, ex-cabo da PM, enfim, um sujeito ‘durão’. Vem um molecote franzino, entra na casa dele, seqüestra a filha dele e ele não faz nada? E ainda por cima tem uma ‘turica’ em rede nacional e é descoberto pela polícia. Tem alguma coisa estranha nisso aí…”

E parece que tem mesmo. Segundo a polícia de São Paulo, há suspeitas concretas de que Lindemberg e o pai da menina faziam parte de um mesmo grupo criminoso em Santo André. Em entrevista, o delegado que conduz as investigações afirmou que o tal de Lindemberg não era só o genrinho querido do matador de Alagoas. Segundo ele, a adolescente já havia inclusive sido espancada diversas vezes pelo namorado e sabem o que o pai da menina fez? Absolutamente nada. São incontáveis as evidências de que havia uma relação muito mais estreita do que se imagina entre Lindemberg, “o príncipe do gueto”, e Ever(Aldo), o matador de coração mole.

Uma trama que retrata com detalhes o quanto pode ser grotesca a natureza humana. O amor juvenil, um crime passional (será?) e um pai de família foragido vivendo com nome falso em São Paulo. Não sei se acompanho o final pela imprensa ou aguardo com um saco de pipoca em alguma sala de cinema. Prepara a câmera que é mais uma história para você, Padilha…

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José Padilha é o diretor dos filmes brasileiros “Ônibus 174” e “Tropa de Elite”.

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5 Respostas to “Mais um thriller genuinamente brasileiro”

  1. Olá, David! Que bom que você gostou do blog! Volte sempre, eu estarei sempre por aqui (adorei o nome do seu blog). Bom, quanto ao seu post, eu estou de queixo caído. Logo que o sequestro começou e divulgaram as primeiras informações sobre o namoro e a idade dos envolvidos, pensei duas coisas. A primeira é que eu acho um absurdo uma menina de 12 namorar um rapaz de 18! E a segunda é que tudo aquilo só poderia terminar em tragédia, sobretudo pela idade dos envolvidos e pela motivação do crime! Bom, deu no que deu e agora os desdobramentos começam a aparecer. E que desdobramentos!

    beijos, bom final de semana!

  2. Sinceramente, nada nessa história , ou em outras envolvendo seres humanos, me surpreende mais…e não se esqueça da amiguinha, mantida lá o tempo todo, que saiu, voltou, e apesar de ferida praticamente isenta o assassino. Sem falar q virou estrela da mídia, parecendo mt contente com td isso.
    Há mt tempo q venho parafraseando Renato Russo: tenho quase certeza q eu não sou daqui…

  3. O descaso com a prole está ganhando espaço. Primeiro jogam a filha pela janela, agora isso…

  4. E aew kra!
    Tu comentou no meu blog faz um tempo, na época conferi a matéria sobre o parque da catatumba, antiga favela por volta dos anos 30 ou 40, não tenho certeza. Estou pra ir lá!
    Me amarrei no plano de Lost, uma vala onde o passado enterrado é o terreno em que pisa o presente e que neste, germinará o futuro.

    A respeito desse caso Eloá, acho que no sensasionalismo sangrento muita gente ganha dinheiro com isso e outros se alimentam desse sangue em doses de adrenalina sentados na poltrona diante da Tv.

    abraço kra, gostei do blog!

  5. Do jeito que esse caso foi mal executado e as investigações vêm sendo mal conduzidas, em que a Polícia faz de tudo para tapar o sol com a peneira e justificar o injustificável, que é a forma como aquele moleque brincou com a cara de todo mundo, não demora e vão dizer que o tal do Lindenberg integra uma célula da Al-Qaeda ou qualquer pataquada semelhante.

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