Arquivo para novembro, 2008

A culpa é nossa

Posted in Uncategorized with tags on 30 novembro, 2008 by David Cohen

folhinha

Todo final de ano é a mesma coisa. Vai chegando novembro, dezembro e começa aquela ladainha: “Nossa, como o ano passou rápido! Parece que voou!” Bom, eu tenho uma teoria sobre isso.

A culpa é toda nossa. Sim, por mais que seja paradoxal, a culpa é toda nossa. Somos nós que apressamos a passagem do tempo. Eu explico.

Durante o dia, ficamos com os olhos presos ao relógio torcendo para que as horas passem o mais rápido possível, ansiosos para deixarmos o trabalho e voltarmos para casa. Já durante a semana, torcemos feito loucos para os dias correrem e chegar logo sábado e domingo para descansarmos e nos divertirmos. Por fim, passamos o mês inteiro torcendo freneticamente para os dias voarem, pois, de bolsos vazios, ansiamos pela data do pagamento para recebermos nosso suado salário. E quando, finalmente, depois de toda essa correria, o ano chega ao seu final, nos confrontamos com essa hipócrita interjeição: “Nossa, como o ano passou rápido!” Ué, não fomos nós mesmos que apressamos o passar dos dias? O tempo teria que passar rápido para umas coisas e devagar para outras? Como somos contraditórios…

A culpa é toda nossa!

Cabelos brancos

Posted in Uncategorized with tags on 29 novembro, 2008 by David Cohen

Esse ano surgiram meus primeiros cabelos brancos. Tudo bem, não sei se foram exatamente os primeiros, mas apenas neste ano me dei conta da existência deles. Até bem pouco tempo atrás, minha maior preocupação – do ponto de vista capilar – era com a manutenção dos cabelos. Eu buscava de todas as formas fugir de uma calvície precoce e confesso que temia que não me restassem fios para branquear. Felizmente, até o momento, não foi o que aconteceu.

Reluzentes, meus primeiros cabelos brancos habitam as laterais de minha cabeça, onde destoam dos “irmãos” de cor escura. Pensei em arrancá-los com um pinça, mas fui advertido de que nasceriam em maior quantidade se eu fizesse isso. Voltei atrás, mas ainda não estou convicto de que tomei a decisão mais correta. Afinal, que mal haveria se eles tomassem conta de minha cabeça?

Costuma-se associar os cabelos brancos à maturidade e à experiência. Há até mulheres que afirmam que as rugas e os cabelos grisalhos trazem um certo charme para os homens, o que elas chamam de “beleza madura”. Não me parece que cabelos brancos embelezem quem quer que seja, mas sou capaz até de adquirir um certo ar professoral em função deles. E olhem que, por enquanto, são apenas uma meia-dúzia.

Na verdade, cabelos brancos são sinais evidentes de uma rotina desgastante. Desde muito jovens precisamos nos preocupar com “o que vamos fazer quando crescer” e, quando finalmente achamos que crescemos, continuamos com a mesma pergunta na cabeça. Perdemos a maior parte do tempo projetando a nossa vida, alicerçando sonhos que nem mesmo sabemos se seremos capazes de realizar. O sucesso parece uma estrada que vai se estreitando até encontrar o horizonte, uma corrida desenfreada em busca de paz e felicidade.

E ao longo dessa corrida eles vão aparecendo. Como cicatrizes que brotam de dores silenciosas, os sorrateiros cabelos brancos vão construindo seu império. E quando chegamos, finalmente, ao derradeiro trecho dessa estrada, em que tapetes são estendidos sobre buracos, já podemos dizer que temos uma vaga idéia do que seria o melhor caminho. Mas não podemos voltar atrás.

Talvez a cor de nossos cabelos se esmaeça a cada susto, a cada tropeço, a cada frustração pela escolha que supomos equivocada. Cada lágrima e cada gota de suor que escorre por nossa pele leva um pedaço do que fomos. Com o tempo descolorimos.

Esse texto é a forma que encontrei de dar as boas vindas aos meus cabelos brancos. Não pretendo mais ignorar a existência deles. Serão tratados com profunda cordialidade e espero que, nos próximos anos, eles conversem bastante comigo, não me permitindo que esqueça cada um dos seus infinitos significados, cada história que corporificam. Sejamos bons anfitriões.

E para terminar, vou dividir com vocês uns versos de uma música do Herivelto Martins que se chama, adivinhem, “Cabelos Brancos”: “Ninguém viveu a vida que eu vivi/ Ninguém sofreu na vida o que eu sofri/ As lágrimas sentidas, os meus sorrisos francos/ Refletem-se, hoje em dia, nos meus cabelos brancos.”

Prêmio Bambi

Posted in Curiosidades on 28 novembro, 2008 by David Cohen

bambi

Por ter se tornado o campeão mais jovem da história da Fórmula 1, Lewis Hamilton vai ganhar um dos mais importantes prêmios da Alemanha. O piloto, de 23 anos, receberá o troféu Bambi em uma cerimônia de gala organizada pelo Grupo Hubert Burda, na cidade alemã de Offenburg.

Além de Hamilton, Britney Spears, Meg Ryan, Keanu Reeves, Karl Lagerfeld, Tommy Hilfiger e Placido Domingo também estão entre os agraciados.

Fonte: Globoesporte.com

E aí, o que acharam desse prêmio? Algum de vocês também gostaria de ser contemplado? Eu tô fora!

O Peri de Copacabana

Posted in Crônicas on 25 novembro, 2008 by David Cohen

“Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante…”

 

– Não é possível, isso só pode ser mais uma das suas brincadeiras…

– Não, não é brincadeira. Você não imagina o quanto é difícil ter que conversar sobre esse tipo de assunto com você…

– Quero saber os detalhes… Onde você conheceu esse índio?

– O que importa isso agora? Você só precisa saber que estou apaixonada e…

– Apaixonada? Você se apaixonou por um silvícola?!

– Me apaixonei sim, qual o problema?

– Você só pode estar enlouquecendo… só falta me dizer que conheceu o tal índio num shopping center enquanto ele comprava um cocar na Emporio Armani. Ou será que foi num cursinho de tupi pela internet?

– Você e seus deboches, continua o mesmo imaturo…

– Eu imaturo? Você não imagina do que sou capaz!

– Não adianta você fazer mais nada, já estou decidida. Vou arrumar as minhas coisas…

– Para que você quer as suas coisas? Pensei que você agora fosse andar só de tanguinha e pintar o resto do corpo com urucum…

– Deixa de ser cínico, nosso casamento sempre foi um fracasso!

– Você ainda não me disse aonde conheceu esse maldito índio! Vou escrever uma carta hoje mesmo para o presidente da FUNAI denunciando esse ser primitivo destruidor de lares! Ele abusou sexualmente de você? Você está sendo coagida?

– Pára de palhaçada! Eu no seu lugar não me meteria com ele… Para o seu governo, ele tem o dobro do seu tamanho.

– Era só o que me faltava… daqui a pouco você vai tentar me convencer de que o nativo que você arranjou tem um arsenal bélico dentro da oca: um tacape, uma zarabatana e um arco e flechas… não seja ridícula, nós estamos no Rio de Janeiro minha querida…

– E outra coisa: Ele também tem mais dinheiro do que você!

– Como assim tem mais dinheiro? Ele é descendente de Araribóia? Ele é o cacique da tribo em que você vai morar?  Você continua a mesma interesseira… Bem, eu sempre fui contra essas políticas rondonistas do governo de deixar terra pra índio… E o que é pior, não pagam um centavo de imposto!

– Já chega! Não agüento mais ouvir esse bando de bobagens!

– Vocês já conversaram com o Pajé? Já pediram as bênçãos de Tupã para selar essa união adúltera? Tomara que ele mande um raio bem na sua cabeça!

– Acho que a sua cabeça está mais propensa ao recebimento de raios…

– Descarada…Você não vai me contar mesmo onde encontrou esse maldito aborígine?

– Você tem mesmo certeza de que quer saber isso?

– Claro! Não quero ser poupado de nada, não quero que sinta pena de mim!

– Então tá bom, depois não diz que eu não avisei. Conheci o Índio na praia.

– Na praia? Como assim na praia? Não vá me dizer que descobriram um cemitério indígena no calçadão de Copacabana e eles montaram um acampamento na orla junto com os sem-terra?

– Nada disso! Ele joga futevôlei na rede que fica em frente ao nosso condomínio. Mas o meu índio não é desse tipo que você está imaginando não. A pele dele é vermelha sim, mas é por causa do sol que ele pega todo dia. E a única “tanguinha” que ele usa é uma sunga vermelha que deixa o corpo sarado dele todo a mostra…

– Então quer dizer que o tal índio de índio não tem nada?

– Tem sim! Ele tem uma tatuagem tribal no braço que deixa a mulherada aqui do bairro enlouquecida!

– Sua idiota, tatuagem tribal não tem nada a ver com índio! Aliás, uma coisa ainda me intriga nesse seu romance. Se esse indolente fica o dia inteiro na praia, como ele pode ganhar mais dinheiro do que eu, que me mato de trabalhar o dia inteiro naquele escritório?

– Simples. Ele é filho do seu chefe.

– Eu mato você sua desgraçada!

Jogo no rádio

Posted in futebol on 23 novembro, 2008 by David Cohen
Zé do Rádio, folclórico torcedor.

Zé do Rádio, folclórico torcedor.

Ouvir um jogo de futebol pelo rádio tem uma emoção diferente. Por mais que a televisão tenha criado a possibilidade do torcedor efetivamente “ver” a partida, o rádio nos traz uma realidade de sonhos, à semelhança do que acontece quando lemos um livro.

Quando acompanhamos uma partida de futebol pelo rádio normalmente temos a sensação de que nosso time jogou muito melhor do que na realidade. Já notaram como qualquer troca de passes no meio de campo parece aos nossos ouvidos um poderoso contra-ataque? Isso sem falar nos gols, que sempre pareceram mais bonitos do que foram.

Uma partida de futebol pelo rádio é a apoteose do exagero. Qualquer bola que passa a metros da trave foi sempre “tirando tinta” e aquela “entrada criminosa” do jogador adversário muitas vezes nem foi tão violenta assim.

Outra característica que só o rádio possui é a voz estridente dos locutores e seus conhecidos bordões. Quando é gol de um determinado time eles gritam moderadamente: Goool! Já quando sai gol do time que eles torcem, a imparcialidade vai para o espaço: GOOOOOOOOOOOOOOL!!!!! É sempre um golaço, impressionante.

A maior heresia que pode existir é, depois de acompanhar o jogo pelo rádio, assistir ao compacto na TV. É como assistir um filme depois de ler o livro, ou seja, frustração na certa.

Não sei se vocês já se deram conta, mas o jogo de futebol pelo rádio nos devolve o prazer da imaginação. Tirando o resultando da partida (esse não tem como alterarmos), o rádio abre a possibilidade de criarmos uma realidade paralela, de nos tornamos espectadores de nossas próprias fantasias, o que é incomparável.

Muitos torcedores, ainda hoje, vão para os estádios com seus radinhos de pilha ou acompanham o jogo pela TV e pelo rádio simultaneamente (“olho na telinha e ouvido na caixinha”). Eu não chegaria a tanto…

Confesso também que só parei para pensar nisso tudo depois que a TV a cabo da qual sou assinante me cobrou a módica quantia de R$ 60,00 pelo sinal do jogo entre Vasco e São Paulo de logo mais.

Mas apesar disso tudo, ouvir um jogo de futebol pelo rádio tem uma emoção diferente e isso ninguém pode negar. 

Vicky Cristina Barcelona

Posted in Filme on 21 novembro, 2008 by David Cohen

É sempre bom saber que tem um filme do Woody Allen em cartaz. É essa a sensação que eu experimento desde que assisti – totalmente por acaso, diga-se de passagem – ao excelente “Desconstruindo Harry”. À época, minha intenção era assistir a um outro filme, que nem me lembro mais qual era, mas acabei entrando por engano na sala em que estava passando “Desconstruindo Harry”. Daquele dia em diante me tornei um apaixonado pelos filmes do Woody Allen.

No cinema também assisti, se não estou me esquecendo de nenhum, “Celebridades”, “Dirigindo no escuro”, “Melinda e Melinda”, “Match Point” e “O sonho de Cassandra”. Com “Vicky Cristina Barcelona” não poderia ser diferente. E não foi.

Não pretendo aqui fazer uma resenha do filme. Mas posso dizer que, como os demais, tem um humor inteligente, diálogos incríveis e personagens que parecem caricatos, mas são muitos mais parecidos conosco do que imaginamos. Isso sem falar nas locações do filme, que são um capítulo à parte…

Enfim, não vou dizer que é um filme genial. Não, está longe disso. Mas é um filme que diverte, não é cult e nem pipoca, é simplesmente um filme do Woody Allen, o que é mais do que um bom motivo para sair de casa e pagar o preço (cada vez mais caro) do ingresso do cinema.

Monstro marinho

Posted in Curiosidades on 21 novembro, 2008 by David Cohen

O site do jornal russo Pravda noticiou a descoberta de um bizarro monstro marinho, encontrado na costa da Guiné, país da África ocidental. A espécie, ainda não identificada, estava parcialmente em estado de decomposição, mas sua estrutura revela claramente a presença de quatro patas, um rabo e, o mais estranho de tudo: pêlos.

Os cientistas locais que examinaram a criatura dissem que já tinham visto a espécie antes, mas que não têm a menor idéia de como defini-la. O monstro marinho continua sendo uma incógnita para a ciência.

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Seria um dinossauro aquático? Um parente distante do monstro do Lago Ness? Não dá mesmo para duvidar da existência de mais nada…