Tributo ao Pai

Foto de Rudy Trindade

Foto de Rudy Trindade

É, faz tempo.

Parece que foi ontem…

– É menino, é um garotão!

Você não se conteve.

Charuto, abraço, lágrima

Silêncio

Você era finalmente pai.

 

Das paredes azuis

Ao bolo de 1 ano

A primeira palavra:

Ma-mãe.

Você não se importava

Não tinha dúvidas

A segunda certamente seria…

Vo-vó.

 

Surgiram os primeiro passos

O primeiro chute

Fui goleiro, artilheiro

Astronauta e lutador de boxe

Como toda criança

Fui alpinista de estrelas

E enquanto você foi a corda

Eu fui acordando.

 

Do banco de trás

Eu fui aprendendo a pedir:

Biscoito, bala … o volante!

O volante? Sim, eu já posso fazer isso!

Foi um pulo.

O sapato apertando, o dente caindo

A canela esticando…

Será que você viu?

(A cortina de sua pálpebra não paralisa o tempo.)

Não viu.

 

E quando viu

Eu era um lugar na mesa

Um quarto vazio

E uma sirene de escola que nunca cessa.

 

Mas hoje estamos aqui

Diante do imenso quarto azul

Que você me ensinou a conhecer

Diante de estrelas infinitas

Escondidas por trás de sonhos

Que você me fez acreditar

Possíveis.

Obrigado, meu pai.

 

Texto originalmente publicado no blog Caneta, Lente e Pincel.

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8 Respostas to “Tributo ao Pai”

  1. Essa semana meu pai dominou a minha vida e os meus pensamentos. Desde segunda-feira, relembrei vários momentos das nossas vidas. Ainda não sei se conseguirei escrever sobre isso, mas ler esse post foi como se eu mesma estivesse dizendo isso pra ele… O que me deixa mais feliz é saber que eu ainda posso fazer isso, quero aproveitar esse tempo.

  2. Que bonito!!! Especialmente “A cortina de sua pálpebra não paralisa o tempo”

    Parabéns pela sensibilidade… Lembrei do meu paizinho, que está longe…

  3. Ô David, que lindo!
    Eu tenho a benção de ainda ter o meu pai comigo e se a genética não falhar – e não vai! – ainda o terei por muito tempo( a mãe dele se foi aos 102 anos!).
    E se temos a sensibilidade e as palavras certas para homenageá-los, felizes de nós. E você foi isso e mais um tanto! Parabéns!

  4. Sarita O. Says:

    Já falei o que eu achei sobre esse poema. Na verdade, acho que o simples não falar nada (depois de tê-lo ouvido) explicaria muita coisa. Saudade de você poeta (sem vírgula mesmo).

  5. A foto diz tudo, e o poema dá mais sentido ainda ao sentimento que ela transmite. Lembrou direto o meu pai, que já se foi, mas antes me fez acreditar nas “estrelas infinitas escondidas por trás de sonhos”. ;o))

  6. Julyanna Says:

    David,
    Gostaria de parabenizá-lo pela sensibilidade. Você consegue nos fazer sentir a essência do perfume da vida. Seu poema toca. Arrepia. Emociona. Sim, devemos render homenagens ao nosso pai que tanto nos ensinou e nos “fez acreditar possíveis” os nossos sonhos. Que nos tornou quem somos. O que acreditamos.

  7. Sarita O. Says:

    “Fui alpinista de estrelas”. Agora que reparei…
    Já imaginou daqui a alguns anos, você famoso, criancinhas nas escolas e adolescentes no ensino médio lendo e interpretando seus poemas e alguém tentando explicar esse verso?
    Ia ser engraçado… 🙂

  8. Pai…me lembrei agora que saudade enorme de você,que saudade do seu abraço…que saudade.

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