Archive for the História Category

Antigos cinemas do Rio…

Posted in História on 10 novembro, 2008 by David Cohen

Hoje recebi por e-mail mais uma prova do quanto foi vilipendiado, sobretudo nos últimos 30 anos, o patrimônio histórico e cultural da cidade do Rio de Janeiro. Neste post, que é uma espécie de resumo do e-mail que recebi, vocês terão uma pequena demonstração (pequena mesmo) da beleza e do glamour de nossos antigos cinemas, muitos deles já demolidos. Certamente alguns dirão que os atuais shopping centers, onde hoje fica a maior parte dos cinemas, dispõem de uma série de outros serviços, como estacionamento amplo, segurança particular e praça de alimentação, o que não existia na época dos cinemas de rua.  Entretanto, se não fôssemos tão negligentes com a memória de nossa cidade, poderíamos ainda hoje nos deleitar com o clima parisiense que ostentava o Rio de Janeiro até meados do século XX. Basta clicar em cima das fotos para visualizar melhor os detalhes e facilitar a leitura dos textos. Sejam bem vindos a mais uma viagem pelos tempos de glória da finada capital da república.

capitolio-pathe-imperio

Ao fundo, o Palácio Monroe.

azteca

caruso

pax

rian

ritz

Praça dos Expedicionários

Posted in História on 18 outubro, 2008 by David Cohen

Vocês já devem ter percebido que eu sou um apaixonado pelo Rio Antigo e um entusiasta ferrenho da preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade.

 

Essa notícia eu preciso compartilhar com vocês. Vocês já ouviram falar na Praça dos Expedicionários? Se a resposta de vocês é “não”, confesso que eu também não sabia que era esse o nome da praça abandonada que fica ao lado do Tribunal de Justiça, na Avenida Antônio Carlos, no Centro.

 

A região da Praça dos Expedicionários é considerada o berço do Rio porque a ocupação da cidade começou no Morro do Castelo, que ali ficava. No Morro do Castelo foram construídas as primitivas Casa da Câmara e a da Cadeia, a Casa do Governador, os Armazéns, e também as Igreja dos Jesuítas e a Igreja de São Sebastião, onde foi instalada a primeira Sé Catedral da cidade, e junto a qual estava o Marco da Fundação, trazido do primitivo estabelecimento no sopé do Morro Cara de Cão, assim como os restos mortais do fundador, Estácio de Sá.

 

O Morro do Castelo foi destruído em 1922 por determinação do então prefeito Carlos Sampaio. Foram muitas as justificativas apresentadas, entre elas a falta de espaço para abrigar a exposição comemorativa do centenário da Independência e um suposto prejuízo à ventilação da área central da cidade. Assim, com jatos d’água (acreditem!), motores elétricos e máquinas a vapor, o Morro do Castelo foi sendo demolido.

 

Mas então, eu falava da Praça dos Expedicionários. Foi encaminhado à Câmara de Vereadores um projeto de lei de iniciativa do prefeito César Maia (que já sai tarde!) propondo a modificação urbanística do entorno da Praça dos Expedicionários. No popular, o prefeito quer destruir a praça, e o seu objetivo é a construção naquele lugar de um estacionamento e dois edifícios.

 

Como é de costume, abandona-se o patrimônio público com o propósito deliberado de desvalorizá-lo, transformá-lo em “elefante branco” para depois “vender” a idéia para a população de que é necessário remodelar o local. Eu me arrepio todo quando ouço a palavra “remodelar”. Remodelar, no dicionário dos nossos governantes, significa passar literalmente um trator por cima da história, soterrar o passado e seus personagens, impor o esquecimento a golpes de picareta. Aliás, o que não faltam por aqui são golpes de picareta…

 

É tentar corrigir um erro com outro. O Morro do Castelo jamais poderia ter sido destruído e compete aos moradores da cidade envidar todos os esforços possíveis para que a Praça dos Expedicionários – onde também fica o garboso monumento ao Barão do Rio Branco – não siga o mesmo caminho.

 

Nossa cidade agoniza, mas não seremos nós que vamos desligar os aparelhos.

Catacumba: A favela que virou parque

Posted in História on 13 outubro, 2008 by David Cohen

Quem passa atualmente pela Lagoa, um dos bairros de maior valorização imobiliária do Rio de Janeiro, e admira o Parque da Catacumba não imagina – ou não se lembra – que ali existia uma favela.

 

Segundo arquivos da Biblioteca do Serviço Social do Município do Rio de Janeiro, o terreno onde existia a Catacumba foi ocupado por uma chácara durante todo século XIX. Sua antiga proprietária, a Baronesa da Lagoa Rodrigo de Freitas, transferiu a posse das terras para seus escravos.

 

Mas a explicação do nome Catacumba tem origem em tempos ainda mais remotos. Segundo os antigos moradores da favela, o local foi usado pelos índios como cemitério. No entanto, nunca houve confirmação sobre possíveis esqueletos encontrados na região.

 

Por volta de 1925, o Estado dividiu a Chácara das Catacumbas em 32 lotes. Os primeiros barracos da futura favela começaram a ser erguidos ainda nos anos 30. Mas a explosão demográfica só aconteceu mesmo na década de 40, com a chegada de uma leva de migrantes vindos, principalmente, do estado do Maranhão.

 

Em 7 de agosto de 1967, o Jornal do Brasil descreveu assim o cotidiano na favela:

 

“Às cinco horas da manhã, a Catacumba começa a despejar seus moradores. Copeiras, cozinheiras e babás descem as escadarias, saindo para as ‘casas das madames’. Trabalhadores (grande número de operários em construção) formam filas nos dois pontos de ônibus ou caminham a pé, em direção de Copacabana, Ipanema e Leblon. Um pouco mais tarde, o pessoal que desce o morro já tem outro aspecto: é a hora dos funcionários públicos, das crianças que vão para a escola e da grande movimentação das lavadeiras, que saem de casa cedo, para aproveitar o sol fraco da manhã, para a lavagem e, depois, o sol mais forte, para secar a roupa”.

 

A Favela da Catacumba foi removida em 1970 pelo antigo governador da Guanabara, Negrão de Lima. A Catacumba era uma favela sem nenhum modo de ser urbanizada e num local de alto risco de desabamentos. Junto com as outras favelas do entorno da Lagoa (da Praia do Pinto, da Macedo Sobrinho e da Ilha das Dragas, todas extintas), a Catacumba contribuía com o esgoto in natura que era despejado direto na Lagoa Rodrigo de Freitas. A comunidade tinha 2.320 barracos (a maioria de madeira) e cerca de 15 mil habitantes. Não existia serviço de água potável na comunidade. Para 89% dos moradores, o dia começava cedo nas 15 bicas públicas que existiam já perto do asfalto.

 

A maioria das famílias da Catacumba foi transferida para o Conjunto Guaporé-Quitungo, construído pela COHAB na Penha, enquanto outras foram removidas para a Cidade de Deus e Parques Proletários do Estado.

 

O Parque da Catacumba é hoje o mais importante parque de esculturas ao ar livre existente na cidade do Rio de Janeiro.

 

Na cidade em que palácio virou chafariz, pelo menos a favela virou um belo parque.